Da Guedes – POA

Negócio muito bom, até chegar em casa
Vê que não tem nada, só a cabeça a mil e o corpo
Pedindo pra dar só uma parada
Mas eu tô preferindo é falar da balada
Porque aqui é só som, é som

Da Guedes – POA

(Nitro Di)
Mais uma noite começa, é muito cedo
Eu não sei quando termina, mas nós tamo legal
Com essa chuva fina
Tic tac atormenta e já é meia-noite

(Baze)
A moçada tá atoa, cabeça feita, tudo numa boa
O style domina a mente
É cangol, preto, branco e verde, com toca de lã
Pra aquecer o frio que a careca sente
Embaixo as calças gigantes

Com adidas pra pisante, essa não é da hora, essa é do instante
Mas já tá me passando, a fita na mente
Tô farejando aquele cheiro bom, de bolsinha no ombro
De calcinha cavada e sem sutiã, com aquele belo nadão
Fazendo blain, blem, blain
Porque aqui é assim e não tem pra ninguém
Porque eu falo de Porto Alegre, – então tá tudo bem, então tá tudo bem

Mais uma noite em Porto Alegre e tá tudo bem
O relógio tic-tac, a hora eu não sei
O cigarro na bagana, nem um marreco tem
Mas a cabeça na boa, e o hip hop in the brain

(Nitro Di)
Mas coisas más acontecem e rolam soltas
Só trouxa que não sabe, mas ninguém abre a boca
Tem bucha grande, pequena, da branca e da preta
Tem doce, crack na banda, negócio lucrativo
Pra quem vende as paranga, pra quem precisa do fortificante

Negócio muito bom, até chegar em casa
Vê que não tem nada, só a cabeça a mil e o corpo
Pedindo pra dar só uma parada
Mas eu tô preferindo é falar da balada
Porque aqui é só som, é som

Na cabeça da moçada, o hip hop é ritmo que é escutado
Nos carangos, nos fone, se é gordo ou é magro
Se é homem ou mulher, se liga não fica parado
Preste atenção na rima, vê se chama no pé
Vem que tem meu irmão
Eu falo de Porto Alegre, então tá tudo bem

Mais uma noite em Porto Alegre e tá tudo bem
O relógio tic-tac, a hora eu não sei
O cigarro na bagana, nem um marreco tem
Mas a cabeça na boa, e o hip hop in the brain

(Negro X)
É, tem muito mano na banda que vem de todo lado
Os que nunca me viram, olham de cima a baixo
Perigoso – sim, mas bandido – não (não)
Sou Negro X, pá pá!
E eu vou te falar Se eu te olho de perto te digo quem tu é
Se tu é o malandro ou se é o mané
Se é um parceria, se não um vacilão
Se for um cagueta não aperta minha mão
Mas os confirmados vem de todos cantos
Dessa Porto Alegre que é o meu encanto

(Baze – Nitro Di)
Campo da Tuca, Glória, São José
Vila Mapa – Lomba do Pinheiro, Santa Fé
Morro da Polícia, Morro da Cruz, Viamão
É isso aí Vila Jardim, Dependentes, Revolução!
Vila Pinto, Cachoerinha, Gravataí

Cohab Leopoldina, Dj Anderson diz aí
Ipê 1, 2, Ceffer, Brasilia
Trocar uma idéia com os mano na Restinga, que maravilha!
Morro Santana, no Cristal, na Conceição
Mas é do Partenon, que tá vindo esse som
E não vem pra essa barca, quem não tem o Dom

Mais uma noite em Porto Alegre e tá tudo bem
O relógio tic-tac, a hora eu não sei
O cigarro na bagana, nem um marreco tem
Mas a cabeça na boa, e o hip hop in the brain

Music of the day

Ô Otário, eu vou te avisar: intelecto de cu é rola
Você falou pra ela que eu sou louco e canto mal
Que eu não presto
Que eu sou um marginal
Que eu não tenho educação
Que eu só falo palavrão
E pra socialite eu não tenho vocação

Sei que isso tudo é verdade
Mas eu quero que se foda essa porra de sociedade
Pago minhas contas, sou limpinho
Não sou como você filho da puta, viadinho

Charlie Brown jr – Papo reto

Otário, eu vou te avisar, o teu intelecto é de mosca de bar
Você deixou ela de lado para falar com seus amigos
Sobre suas coisas chatas
Ela deu brecha e eu me aproximei
Porque eu me fortaleço é na sua falha

Ela estava ali sozinha querendo atenção
E alguém pra conversar
Você deixou ela de lado
Vai pagar pela mancada, pode acreditar

Então já era
Eu vou fazer de um jeito que ela não vai esquecer
Se for já era
Eu vou fazer de um jeito que ela não vai esquecer

Ô Otário, eu vou te avisar: intelecto de cu é rola
Você falou pra ela que eu sou louco e canto mal
Que eu não presto
Que eu sou um marginal
Que eu não tenho educação
Que eu só falo palavrão
E pra socialite eu não tenho vocação

Sei que isso tudo é verdade
Mas eu quero que se foda essa porra de sociedade
Pago minhas contas, sou limpinho
Não sou como você filho da puta, viadinho

Então
Então já era
Eu vou fazer de um jeito que ela não vai esquecer
Se for já era
Eu vou fazer de um jeito que ela não vai esquecer

Mexeu com a família agora se vira
Segura a sequência, essa é minha quadrilha
Charlie Brown, Charlie Brown, Charlie Brown
Você deixou ela de lado para falar com seus amigos
Sobre suas coisas chatas
Ela deu brecha e eu me aproximei
Porque eu me fortaleço é na sua falha

Ela estava ali sozinha querendo atenção
E alguém pra conversar
Você deixou ela de lado
Vai pagar pela mancada, pode acreditar

Então já era
Eu vou fazer de um jeito que ela não vai esquecer
Se for já era
Eu vou fazer de um jeito que ela não vai esquecer
Se não quiser ficar só cuide dela bem melhor
Ou vai ficar só o pó
Ou vai ficar só o pó

Ferro na boneca, pedrada na vidraça
Tudo que eu tenho eu conquistei na raça
Eu não sou simpático a ninguém
Hoje eu vou de limousine, mas eu já andei de trem

Music of the day

Tem cabeça e coração, tem sentido e tem razão, tem respeito e tem valor
No trabalho brasileiro, no trabalho verdadeiro, Gabriel o Pensador!

Brasileiro é o que eu sou
Rapper brasileiro
Mas eu sou brasileiro antes de ser rapper ou pagodeiro ou os dois ou nenhum
Posso assimilar a cultura do mundo inteiro
Mas sei que nasci no Rio de Janeiro – Brasil
Então não seja imbecil de pensar que eu não poderia cantar assim ou assado
Porque eu vou me expressar na forma e na hora que eu escolher
Aqui ou em qualquer lugar
Valorizando sempre as nossas raízes, Costumes, Cultura musical em geral
Então escuta o que eu digo pro americanizado débil mental
(Você é um burro e não vê a excelente cultura e os costumes do seu próprio país
E abre as pernas pro que os outros lhe impõe
Sem camisinha ou vaselina como o Tio Sam sempre quis)
Mas também não adianta o xenofobismo radical
Eu vou jogar fora no lixo o que é ruim e usar o que é bom da cultura mundial
Vou ler, assistir, escutar e cantar
E nem por isso deixando de lado a produção cultural aqui do meu lugar
E no fundo, no fundo, todos os homens vieram da África
Principalmente alguns povos como por exemplo o nascido e formado aqui nessa pátria
E não se esqueça que cada cultura se forma de uma certa forma
E cada sociedade cultiva suas normas, mas junto nós todos formamos a humanidade
Que engloba todos os seres humanos
Que podem se destacar dos outros animais pela sua capacidade de pensar
Capacidade que muitas vezes não é utilizada
E sendo assim não serve pra nada
Mas eu penso, penso, logo existo
Existo logo, penso e tento utilizar essa capacidade de raciocinar a todo momento
Posso pensar na forma de Rap, Livro, Pintura ou Baião
Posso pensar certo, mas também tenho o direito de errar, vacilão
Mas eu tento enxergar tudo e se eu não enxergasse amigo eu usava óculos
Sou mais um inconformado sem partido feito a Denise Stoklos
E eu falo pra todos aqueles que querem me ouvir e vão concordar ou discordar
Talvez vão acordar
Talvez me seguir ou talvez me vaiar (mas eu vou defecar)
E eu falo pro meu conterrâneo, mas posso falar pro estrangeiro
Eu sou apenas um rapaz latino-americano
Então em primeiro lugar o que eu falo é pros brasileiros
Inclusive pras “Lôrabúrras”, playboys, pros militares e pros crentes
Pra todos os filhos da puta carentes que sofrem com a dominação cultural
Seja com a doutrinação social, militar, religiosa ou de origem internacional
Humanamente também tô do lado desses coitados que tão no caminho errado
E por isso merecem e precisam ser esculachados
O brasileiro precisa fazer uma lavagem cerebral
Aproveitando o que vem lá de fora mas sem esquecer o nosso valor nacional
Cultural, natural e da nossa história
É triste me olhar no espelho e saber que pertenço a um povo sem memória
E por culpa da gente é que nada muda no país
A miséria é permanente desde que os primeiros portugueses chegaram aqui
As deficiências dessa sociedade tão aqui desde cedo:
Fome, Corrupção, Desigualdade, Povo covarde, Desemprego
Antigamente o sistema escravista não dava espaço ao trabalho livre
Hoje os problemas são outros
O espaço ainda é pouco e a superpopulação que o diga
E mesmo hoje em dia é bom que se lembre
Os que trabalham não são homens livres e continuam escravizados como sempre
Escravos, é isso o que somos
Escravos da própria falta de atitude
Alguns se iludem ficam esperando que alguma coisa mude
Os mais afetados esquecem onde tão e aplaudem tudo o que for importado
Espero que tenha ficado bem claro de que lado eu tô
Apesar de ser um terráqueo
Gabriel O Pensador nunca vai se esquecer desse pedaço do planeta de onde ele saiu
Esse pedaço bonito, cansado, sofrido e explorado chamado Brasil
Então se você só dá atenção para o que vem de fora não me dê atenção
Me jogue fora
(Tchau! Vou embora)(Vai!)(Não! Fica aí)
Eu fico, pra alegria e satisfação parcial da nação
Trazendo uma nova linguagem uma nova forma de comunicação
Que muitos brasileiros ainda não conheciam: O Hip Hop
Que não tinha Ibope porque muitos não entendiam
Mas hoje em dia ele é universal e até no Japão ele é assimilado
E pra quem achava uma droga depois dessa dose cuidado pra não se tornar viciado
Porque eu aplico Hip Hop na veia, Na mente, Na frente, Nas costas, No peito
E não me esqueço que sou brasileiro então eu fabrico Hip Hop do meu jeito
Do nosso jeito
Desse jeito que você nunca conheceu
Com brasileiros tocando instrumentos ou mais Be Sample que a Fernanda Abreu (Rio 40°!)
É somente a capital cultural do território nacional
Que é o purgatório da beleza e do caos no verão ou no inverno
Purgatório que pra muitos é bem pior que o inferno
E ao mesmo tempo é o céu pra outros poucos sortudos
Brasileiros surdo-mudos que apesar de tudo está sorrindo
Para eles continuam negando e cuspindo naqueles que tão pedindo e sentindo
“O gosto amargo desse nosso egoísmo que destrói os nossos corações
Será só imaginação?”
Não, Não, Acho que não
E se você não quer realidade, então vai ver televisão
Mas eu tô na vida real e não quero fugir dessa realidade
E eu acho que até passava mal se me olhasse no espelho e enxergasse um covarde
Então eu vou continuar o idealismo que parece arte
E se precisar mudo até de nome feito o Chico Buarque
E “apesar de você” não se mexer
Não sei porquê sua anta
Me escuta
De que adianta ser filho da Santa?
Melhor seria ser filho da luta
Seria bom se tudo fosse um sonho e quando eu acordasse estivesse tudo lindo e pronto
Mas isso nós não merecemos porque só vivemos dormindo no ponto
Então eu tento ficar acordado até na cama quando eu tô dormindo
E também não sou de nenhuma tribo urbana porque eu não sou totalmente índio
Eu tenho um pouco de índio no sangue, mas não no sangue inteiro
Eu tenho um pouco de tudo no sangue, porque eu sou brasileiro
Mas o que eu definitivamente não tenho no sangue é vergonha de ser o que eu sou
E não sei porque os brasileiros não têm auto-estima e não se dão valor
Mas eu me valorizo
Minha cabeça
Minhas ideias
Meus amigos
Minha liberdade de pensamento
Minha terra
O chão onde eu piso
Meu estilo
Minha cultura
Os costumes e o povo de onde eu vivo
Entre tantas outras coisas que eu valorizo e que depois você vai entender
E você amigo? Valoriza o quê?