Religião: Medo e Tremor, por Leandro Karnal

O professor Leandro Karnal nos agracia com o compartilhamento do seu impressionante conhecimento em mais uma palestra no « café filosófico » do Instituto CPFL.

A crença em um ser superior pode gerar paz de espírito ou pode trazer medo. A bíblia fala de dois patriarcas da fé: o Deus de Abraão é próximo e afetuoso; o Deus de Moisés lança raios e punições. Na origem da nossa cultura conhecemos um Deus consolador e um Deus terrível. Amor ou Medo?

A história das religiões nos ensina como amor e medo andam lado a lado, como força e destruição são irmãs, como fé e sofrimento se completam quando se trata de deuses. Diante de um universo cada vez mais vazio, um palco de pedras, o que o homem contemporâneo poderia encontrar na religião que o ajude a compreender porque ele tem tanto medo?

Escola sem partido? por Magda Becker Soares

Discutir uma escola sem partido convoca evidenciar sua impossibilidade, e não só porque é mais uma tentativa de censura — neste caso, felizmente, das mais ineficazes, porque pretende calar aqueles cuja função, por atribuição da Constituição e da Lei de Diretrizes e Bases da Educação, é formar crianças e jovens para a cidadania, de que são princípios fundamentais a liberdade de expressão e o desenvolvimento da criticidade; é uma impossibilidade (uma ingenuidade?) porque se constrói sobre pressupostos que não se sustentam.

(…)

Por outro lado, se sem partido se refere a posicionamentos pessoais de professores — sociais, políticos, morais, religiosos (ideológicos?) — a falácia está em supor que o ser humano é capaz de se manter “neutro” em suas interações, sejam sociais, sejam, como pretende a escola sem partido, pedagógicas. A proibição de “doutrinação” comete o equívoco de julgar que as convicções de um ser humano, neste caso o professor, só se manifestam pela palavra: supõe-se que, proibindo a palavra, fica proibida a “doutrinação”. Um equívoco, porque não são só as palavras que expressam convicções, mas o ser humano como um todo, que, ainda que tenha a palavra proibida, revela-se por seu modo de agir, de decidir, por seus comportamentos; pode-se até tentar calar o professor, mas não se calam as mensagens que ele comunica por meios não verbais, mesmo se tenta “censurar-se”. Impossível.

Leia a íntegra no Medium.

Discutindo pelada com Léon, por Fernando Horta

Leon é um amigo que tenho que diz que “juga en el time del grande Francisco I”, e eu não sei se ele se refere ao comunismo do papa, ao fato de ser católico ou se León também torce para o San Lorenzo.

– Oi León, como estás?

– Fernando querido! Bueníssimo hablar con vos…

– Pois é León… Que mundo louco é este?

– Donde, Fernando? Que está pasando?

– León, por favor, em que mundo estás?

– Mas que pasa, Fernando? Por favor, no me ponga en desespiero así…

– Caramba León… Trump, Theresa May, Macri e Temer, com Sara Palin, Le Pen, Bolsonaro e Klitschko na reserva.

– Hummm una equipa buena pero más floja que Hitler, Mussolini, Franco e Salazar con Pinochet, Videla, Reagan y Thatcher por la derecha.

– Pombas León… O mundo está ladeira abaixo…

– No Fernando, por favor. És historiador, doctor en história… No hable tonterias así… El mondo está la mierda que siempre fue. Ahora con mas luces… Solo.

– Mas, León… Não estás vendo a catástrofe?

– Sí, lo a estoy intentando compreender desde que el desgraciado James Watt creo la máquina a vapor. La catástrofe se llama capitalismo.

– Mas León … Por fav (fui interrompido)

– Fernando, dejame contar a vos una cosa. Si hay 10 panes para dividir por entre 3 personas, todas comerán un pane, hablarán de como lo todo está bien. Guardarán los otros dos panes cada y con mucho amor y senso de coletividad usarán el otro pan para hacer un mundo mejor.
Si hay cinco panes para dividir por entre las mismas 3 personas, dos de estas três se reunirán diciendo que lo tercero no se esfuerza lo suficiente, o que és negro, gitano, judio o tiene un nariz mui lago. Los dividirán los dos panes, expulsarán lo tercero estranjero e comentarán como el mundo está peligroso, y como era bueno antigamente. Lo pan que ha sobrado los dos pagarán al trabajo de uno otro para afastar e espancar lo tercero peligroso.
Asi, siempre lo fue.

E desligou o telefone. Fui olhar quantos pães eu tinha em casa. Contei duas vezes e comecei a me preocupar.

Siga Fernando Horta no Facebook.

Diálogo de delegacia, por Fernando Horta

– Doutor Delegado, eu fui estuprada.

– Vamos com calma, como é seu nome?

– República Federativa do Brasil.

– Muito bem, e o que exatamente ocorreu?

– Eu fui estuprada, dentro da minha própria casa…

– Como assim estuprada? Você não casou com ele? Ele não era vice por votação?

– Era… mas ele não podia fazer isso…

– Minha senhora, é claro que ele podia, está na constituição.

– Mas a constituição exige consentimento e o que houve foi violência…

– Violência segundo quem? Ao que me parece a senhora até estava gostando por uns 13 anos…

– Não! Ocorriam apenas pequenos abusos, mas era por um bem maior… um juiz entenderá…

– República Federativa do Brasil, né? É este seu nome?

– É sim…

– Pois veja… alguns dizem até que seu nome é “Estados Unidos do Brasil”, você claramente gostava.

– Não… veja estou toda ensanguentada…

– Minha senhora, isto aí é fruto de suas atividades nada cristãs…

– Mas eu tenho direitos… por favor… eu preciso.

– Veja, a senhora até pode registrar ocorrência, vai para o STF e nada vai acontecer. Digo isto como seu amigo. Acho melhor você ir para casa e conversar com ele, porque ele lhe ama e só quer o seu bem…

– Não… ele continua me machucando… me agredindo sem nenhum consentimento…

– Minha senhora, Brasil, né? Minha senhora, vou lhe dizer de novo, vá para casa e converse com ele. É para seu bem e nos deixe trabalhar… temos coisas sérias a fazer…

Oliveira!!! reúne o pessoal, precisamos bater naqueles estudantes lá… o juiz já liberou? Já?! OK, então vamos.
Madame, pode ir. Passar bem…

(O Brasil foi estuprado. E as mulheres que já passaram por isto sabem exatamente a sensação de desamparo que é dada pelas “autoridades”. Foi exatamente o que aconteceu… E ainda falam que não somos machistas)

Siga Fernando Horta no Facebook.