O Estranho sentimento de “nacionalismo e dever” dos militares e policiais brasileiros, por Fernando Horta

É recorrente nas manifestações de policiais e de militares a ideia de “dever” e de “nação”. Na frente da ALERJ, por exemplo, um coronel da PM falava em “manter a ordem” como um “dever” da polícia. Entre os militares não há um momento em que não rendam homenagens à bandeira, todos os dias inclusive. O estranho disto é que ambas as ideias (“dever” e “nação”) são sempre elitizadas, seccionadas de forma que se perguntarmos “dever para com o quê?” ou “nação para quem?” as máscaras caem.

Parece-me estranho falar em “dever” para com a “lei” e chacinar populações pobres enquanto espancam estudantes. Parece-me muito estranho “dever com a lei” quando mata criança ligada ao tráfico mas recebe arrego em dinheiro seja do mesmo tráfico ou de outros meios ilícitos. A “lei” e o “dever”, portanto, são sempre dobradas aos interesses privados e muitas vezes próprios.

Entre os militares é pior. Batem continência a um pano bordado, ouvem com garbo notas arranjadas ainda nos séculos passados, e se convencem que, por alguma mágica, isto é ser brasileiro. Ao mesmo tempo, “monitoram” movimentos estudantis, dão proteção a instituições e pessoas que entregam o patrimônio nacional, que destroem os projetos de segurança nacional e colocam nosso povo passando fome, sem atendimento médico. Parece-me estranho falar em “Brasil” como algo etéreo, um certo encadeamento de cores enquanto nossos conterrâneos passam fome para que alguns tenham apartamentos na Barra.

Novamente o que se vê é um “nacionalismo” de ocasião, que no fundo é um desculpa esfarrapada para manter privilégios. Se bem que se olharmos com cuidado a bandeira brasileira ela espelha estes privilégios. Quem está no círculo azul está bem distante da maioria verde, cada cor restrita no seu espaço e um mandamento claro e criminoso no meio. Que aprendam seus espaços e que se contenham em suas formas. Esta é a “missão”.

Nas novas mudanças das PEC’s e projetos, o Brasil fracionado aparece. Militares bradam que “todos temos que ser brasileiros” mas as reformas da previdência não atingirão legislativo, judiciário nem as forças armadas. Justo eles que representam mais de 65% do déficit desta mesma previdência. Não é brasileiro quem veste verde amarelo e canta um hino descolado de qualquer ideia de povo. Não é brasileiro que defende uma lei injusta e sectária matando os menos favorecidos. Aliás, não são brasileiros, mas são covardes. Usam o que o país todo lhes deu contra os menos favorecidos. E se enganam achando que isto é “dever” ou “nacionalismo”. São os primeiros a sustentar privilégios e para isto matam, espancam, pressionam e ameaçam.

Noutros tempos, instituições que usavam a violência para manter seus privilégios e enriquecer eram chamadas de “máfias”. E pensando bem é isto que o Brasil tem, máfias fardadas que cantam hinos e matam todos que dela discordam. E têm a petulância de dizer que fazem isto “pelo país”. Têm a petulância de gritarem “Salve o Brasil!”. Não salvam ninguém, e apenas saúdam-se a si próprios.

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Discutindo pelada com Léon, por Fernando Horta

Leon é um amigo que tenho que diz que “juga en el time del grande Francisco I”, e eu não sei se ele se refere ao comunismo do papa, ao fato de ser católico ou se León também torce para o San Lorenzo.

– Oi León, como estás?

– Fernando querido! Bueníssimo hablar con vos…

– Pois é León… Que mundo louco é este?

– Donde, Fernando? Que está pasando?

– León, por favor, em que mundo estás?

– Mas que pasa, Fernando? Por favor, no me ponga en desespiero así…

– Caramba León… Trump, Theresa May, Macri e Temer, com Sara Palin, Le Pen, Bolsonaro e Klitschko na reserva.

– Hummm una equipa buena pero más floja que Hitler, Mussolini, Franco e Salazar con Pinochet, Videla, Reagan y Thatcher por la derecha.

– Pombas León… O mundo está ladeira abaixo…

– No Fernando, por favor. És historiador, doctor en história… No hable tonterias así… El mondo está la mierda que siempre fue. Ahora con mas luces… Solo.

– Mas, León… Não estás vendo a catástrofe?

– Sí, lo a estoy intentando compreender desde que el desgraciado James Watt creo la máquina a vapor. La catástrofe se llama capitalismo.

– Mas León … Por fav (fui interrompido)

– Fernando, dejame contar a vos una cosa. Si hay 10 panes para dividir por entre 3 personas, todas comerán un pane, hablarán de como lo todo está bien. Guardarán los otros dos panes cada y con mucho amor y senso de coletividad usarán el otro pan para hacer un mundo mejor.
Si hay cinco panes para dividir por entre las mismas 3 personas, dos de estas três se reunirán diciendo que lo tercero no se esfuerza lo suficiente, o que és negro, gitano, judio o tiene un nariz mui lago. Los dividirán los dos panes, expulsarán lo tercero estranjero e comentarán como el mundo está peligroso, y como era bueno antigamente. Lo pan que ha sobrado los dos pagarán al trabajo de uno otro para afastar e espancar lo tercero peligroso.
Asi, siempre lo fue.

E desligou o telefone. Fui olhar quantos pães eu tinha em casa. Contei duas vezes e comecei a me preocupar.

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