Alunos dos Institutos de Letras e Pscicologia e das Faculdades de Educação (Faced) e Biblioteconomia e Comunicação (Fabico) passaram a noite na universidade
Pelo menos seis prédios da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) estão ocupados por estudantes em protesto contra a PEC-241 (que no Senado passou a tramitar como PEC-55), o projeto Escola Sem Partido e a reforma do Ensino Médio. Na segunda-feira, alunos das faculdades de Educação, Arquitetura e Urbanismo, Design de Produtos, Design Visual, Filosofia, Ciências Humanas, Psicologia, Biblioteconomia e Comunicação decidiram aderir à mobilização iniciada na última quarta-feira, no Instituto de Letras.
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Conheça a aluna que discursou na Assembléia Legislativa em defesa da ocupação das escolas
Do alto de seus 16 anos, a estudante Ana Júlia Ribeiro ainda tenta entender a guinada que sua vida deu em menos de 24 horas. Na quarta-feira (26), a jovem miúda e de olhos brilhantes não se intimidou diante dos deputados e, em plena Assembleia Legislativa do Paraná, fez um pronunciamento emocionado em que defendeu as ocupações dos colégios estaduais. O discurso viralizou na internet, trazendo os holofotes sobre a si e sobre o movimento estudantil. Ainda impressionada com a repercussão, Ana Júlia parece longe de reivindicar qualquer status de destaque ou de liderança. Afirma que quer apenas dar voz aos discentes. A repercussão do discurso rendeu até uma ligação do ex-presidente Lula. A jovem agradeceu o apoio, mas não quer que sua fala seja vinculada a partidos políticos.
“Eu estou orgulhosa de saber que os estudantes se sentiram representados”, disse. “Não, pelo amor de Deus, não quero ser líder de nada. Temos que ir com calma. A pauta, o movimento é muito mais importante”, acrescentou.
Quando STF elimina direito de greve de servidores, passou da hora de repensá-lo
Algum limite tem que ser pensado pela sociedade civil – esqueça as instituições – a uma corte que toda semana resolve mexer na Constituição para eliminar um direito da população. Nesta última de outubro, a aposentadoria e o direito de greve de servidores públicos – estes mesmos, na base da pirâmide, esquecidos pelos burocratas que usufruem de todos os privilégios lá do alto – foram as mais recentes vítimas.
A decisão vem após o anúncio de apoio à PEC 241 pela Presidente da Corte Min. Cármen Lúcia, a pior à frente do cargo que me lembro. Vem depois da intragável sessão que eliminou a presunção de inocência, inesquecível para quem cultiva o mínimo do mínimo de compromisso com a Constituição Federal.
Essa onda reacionária que tomou o Judiciário parece que não ter hora para acabar. Enquanto se acotovelam atrás de flashes da mídia e frases “contra a corrupção”, “contra a impunidade”, os ministros decidiram descontar o salário do servidor em greve sem que seja necessária decisão judicial nesse sentido.
Ana Júlia Pires Ribeiro dá uma aula de cidadania na assembleia do Paraná
Em seu discurso, Ana Júlia Pires Ribeiro, 16 anos, estudante do Colégio Estadual Senador Manoel de Alencar Guimarães, reconheceu a necessidade de reforma do sistema educacional, mas afirmou que a Medida Provisória em tramitação no Congresso Nacional tem falhas. A aluna agradeceu a oportunidade de apresentar a opinião do movimento. “Foi um grande privilégio poder estar aqui representando o movimento estudantil. Eu gostei de a gente também conseguir expor o nosso lado”. Ana Júlia também falou sobre a violência no ambiente escolar. “É uma coisa rotineira. Todos os dias a gente tem essa preocupação com os estudantes, que por algum motivo estão envolvidos em alguma coisa desse jeito. Não é algo com que o movimento tenha alguma relação. Infelizmente, o caso do aluno assassinado dentro de um colégio não vai ser o último”.
Confira a intervenção de Ana Júlia:
Leia a íntegra no site da Assembleia Legislativa do Estado do Paraná
