É recorrente nas manifestações de policiais e de militares a ideia de « dever » e de « nação ». Na frente da ALERJ, por exemplo, um coronel da PM falava em « manter a ordem » como um « dever » da polícia. Entre os militares não há um momento em que não rendam homenagens à bandeira, todos os dias inclusive. O estranho disto é que ambas as ideias (« dever » e « nação ») são sempre elitizadas, seccionadas de forma que se perguntarmos « dever para com o quê? » ou « nação para quem? » as máscaras caem.
Parece-me estranho falar em « dever » para com a « lei » e chacinar populações pobres enquanto espancam estudantes. Parece-me muito estranho « dever com a lei » quando mata criança ligada ao tráfico mas recebe arrego em dinheiro seja do mesmo tráfico ou de outros meios ilícitos. A « lei » e o « dever », portanto, são sempre dobradas aos interesses privados e muitas vezes próprios.
Entre os militares é pior. Batem continência a um pano bordado, ouvem com garbo notas arranjadas ainda nos séculos passados, e se convencem que, por alguma mágica, isto é ser brasileiro. Ao mesmo tempo, « monitoram » movimentos estudantis, dão proteção a instituições e pessoas que entregam o patrimônio nacional, que destroem os projetos de segurança nacional e colocam nosso povo passando fome, sem atendimento médico. Parece-me estranho falar em « Brasil » como algo etéreo, um certo encadeamento de cores enquanto nossos conterrâneos passam fome para que alguns tenham apartamentos na Barra.
Novamente o que se vê é um « nacionalismo » de ocasião, que no fundo é um desculpa esfarrapada para manter privilégios. Se bem que se olharmos com cuidado a bandeira brasileira ela espelha estes privilégios. Quem está no círculo azul está bem distante da maioria verde, cada cor restrita no seu espaço e um mandamento claro e criminoso no meio. Que aprendam seus espaços e que se contenham em suas formas. Esta é a « missão ».
Nas novas mudanças das PEC’s e projetos, o Brasil fracionado aparece. Militares bradam que « todos temos que ser brasileiros » mas as reformas da previdência não atingirão legislativo, judiciário nem as forças armadas. Justo eles que representam mais de 65% do déficit desta mesma previdência. Não é brasileiro quem veste verde amarelo e canta um hino descolado de qualquer ideia de povo. Não é brasileiro que defende uma lei injusta e sectária matando os menos favorecidos. Aliás, não são brasileiros, mas são covardes. Usam o que o país todo lhes deu contra os menos favorecidos. E se enganam achando que isto é « dever » ou « nacionalismo ». São os primeiros a sustentar privilégios e para isto matam, espancam, pressionam e ameaçam.
Noutros tempos, instituições que usavam a violência para manter seus privilégios e enriquecer eram chamadas de « máfias ». E pensando bem é isto que o Brasil tem, máfias fardadas que cantam hinos e matam todos que dela discordam. E têm a petulância de dizer que fazem isto « pelo país ». Têm a petulância de gritarem « Salve o Brasil! ». Não salvam ninguém, e apenas saúdam-se a si próprios.
Étiquette : Polícia Militar (PM)
Documentário enaltece a luta das meninas nas ocupações em SP
Em novembro de 2015, a Escola Estadual Diadema, localizada na região metropolitana de São Paulo, se tornou a primeira escola a ser ocupada por estudantes na luta contra a reorganização escolar apresentada pelo governador Geraldo Alckmin.
A ocupação em Diadema desencadeou um movimento secundarista que foi às ruas de São Paulo e mobilizou estudantes em 200 ocupações espalhadas em todo o estado. Eles protestavam contra a reestruturação que previa o fechamento de escolas e afetaria mais de 300 mil alunos.
Em novembro de 2016, um ano após a data que marcou o início da resistência, o documentário “Lute como uma menina!” é lançado no YouTube. A produção traz a história de luta durante as ocupações sob a perspectiva das garotas que participaram do movimento.
Qualquer semelhança é pura coincidência
Documentário Em Busca da Verdade, realizado pela TV Senado, compilando o trabalho realizado pela Comissão Nacional da Verdade (CNV), instituída durante o governo da presidenta Dilma Rousseff. Esta comissão perturbou um silêncio histórico sobre um período sombrio da História do Brasil, valendo muitas antipatias da elite brasileira à presidente eleita democraticamente. Elite, essa, constituída em grande parte por famílias cujas fortunas provêm de lucros importantes, realizados durante a ditadura militar, às custas do povo brasileiro. Conhecer a História é o primeiro passo a ser dado para evitar a sua repetição.
Governo fecha entrada e corta energia e água do Núcleo de Educação
A energia e a água do prédio que abriga o Núcleo Regional de Educação (NRE), no bairro São Francisco, foram cortadas nesta terça-feira (1º). O local está ocupado por estudantes desde a última segunda-feira (31). A Polícia Militar foi acionada. Colocadas ao redor do prédio, as equipes impedem a entrada de comida e de novos estudantes. Servidores, aposentados e pensionistas estão tendo acesso ao prédio, mediante liberação da polícia.
Na ONU, Ana Júlia será porta-voz das escolas ocupadas, por Esmael Moraes
A secundarista que se tornou a voz dos estudantes que ocupam as escolas e universidades do país tem nova missão. Depois de falar para os deputados da Assembléia Legislativa do Paraná, Ana Júlia agora irá à ONU fazer denúncias contra as milícias fascistas de Beto Richa no Paraná.
Na segunda-feira, dia 31, ela falará na Comissão de Direitos Humanos do Senado e da Câmara, no MPF e em agências internacionais como UNICEF ligada à ONU. A adolescente será a porta-voz das ocupações que estão sendo ameaçadas por milícias fascistas do MBL com apoio do tucano Richa.
