Não é o escopo deste artigo fazer digressões sobre como o governo americano e seu Banco Central deveriam ter atuado durante a crise. Crises bancárias é um assunto vasto e complexo, e merece um artigo à parte (um esboço pode ser visto aqui e um mais completo aqui). Tampouco houve o intuito de fazer algum juízo de valor. A única intenção foi mostrar, sem ideologias ou partidarismos, como realmente se desenrolou todo o processo que levou à formação de uma bolha imobiliária, como se deu seu estouro e como isso afetou todo o sistema bancário.
De posse de todas as informações aqui contidas, o leitor deve se fazer as três seguintes perguntas:
1) Todo este arranjo apresentado configura um sistema totalmente desregulamentado, um genuíno laissez-faire, ou, ao contrário, representa um sistema fortemente intervencionista, no qual políticos, burocratas e reguladores determinavam regras e agitavam em prol de suas conveniências?
2) Um sistema bancário que goza de uma garantia implícita dada pelo governo — de que haverá socorro caso as coisas deem erradas — tende a apresentar comportamentos mais temerários ou mais prudentes?
3) Sem um Banco Central criando dinheiro e permitindo aos bancos manterem suas expansões creditícias de modo crescente, será que tudo isso teria sido possível?
As respostas a estas perguntas têm de estar claras antes de se iniciar qualquer debate a respeito da crise.
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Quando trabalhar no McDonald’s e no Walmart não te garante um teto
Ao encontro com este jornal, no centro de Manhattan, ela chega atrasada e inquieta. Ao trabalho também chegará alguns minutos depois da hora marcada. Os atrasos se sucedem e se retroalimentam. Como nesse dia ela faz o turno das 15h, provavelmente só voltará para casa depois das 22h e isso, aos 27 anos, é dito a ela como sendo uma falha. Não porque viva no seio de uma família rígida, mas porque essa é a hora limite de chegada ao albergue para indigentes no qual dorme quando sai do trabalho no McDonald’s. Pelo menos esse dia é sábado e ela não tem que organizar para levar e buscar na escola as crianças de oito, sete e quatro anos. Lá também costumam repreendê-la por seus atrasos.
A vida de Y., como pede para ser identificada, não é uma raridade: um terço das famílias que dormem nos centros para desabrigados da cidade é chefiada por uma pessoa com emprego. Mas em Nova York trabalhar já não significa ganhar a vida. Nos Estados Unidos como um todo, tampouco: 6 em cada 10 famílias que estão abaixo da linha de pobreza em todo o país têm pelo menos um de seus membros empregados, de acordo com o Instituto de Política Fiscal.
Mas realmente, devemos seguir o capitalismo selvagem dos americanos pois ele deu certo (para 0,1% da população)!
